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Transplante de Células Hemopoéticas
Frederico Luiz Dulley*
Rosaura Saboya**
José Carlos Barros***
* Professor Livre Docente do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da USP / Chefe do Serviço de Transplante de Medula Óssea da Disciplina de Hematologia e Hemoterapia da Faculdade de Medicina da USP.
** Médica Assistente doutora do Serviço de Transplante de Medula Óssea da Disciplina de Hematologia e Hemoterapia da Faculdade de Medicina da USP / Médica da Fundação Pró-Sangue/Hemocentro de São Paulo.
*** Médico Professor Assistente do Departamento de Clínica Médica / Hematologia-Oncologia e Coordenador da Unidade de TCH da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo – Médico do Hospital Samaritano de São Paulo
Introdução
A ampla utilização do transplante de células hemopoéticas (TCH) no tratamento das doenças hematológicas, oncológicas, hereditárias e imunológicas é resultante de mais de um século de pesquisas (1,55).
Embora o pessimismo com este procedimento das décadas de 50 e 60, somente com os avanços na medicina transfusional, no entendimento da influência do sistema imunológico – principalmente do HLA, e também do diagnóstico e tratamento de infecções, os TCH passaram a adquirir uma importância crescente, principalmente a partir de 1968, com a realização do primeiro transplante alogênico (sem qualquer imunossupressão como condicionamento) bem sucedido para uma criança portadora de imunodeficiência combinada na equipe da Universidade de Minnesota liderada pelo Dr. Robert Good. Posteriormente, em março de 1969, o Dr. E. Donnal Thomas e seu grupo realizaram, em Seattle – EUA, o primeiro TCH alogênico com a utilização de radioterapia como condicionamento, em um paciente portador de leucemia que recebeu doses altas de irradiação corporal total, seguido da infusão de medula óssea de seu irmão (2, 55). Em 1990, o mesmo Dr. Thomas foi agraciado com o Prêmio Nobel de medicina, pelo trabalho experimental, clínico, e a criação dos TCH.
No Brasil, um grupo pioneiro de hematologistas da Universidade Federal do Paraná deu início ao TCH neste país em 1979 (3). Em 1983 foi inaugurado no Instituto do Câncer na cidade do Rio de Janeiro, outra unidade de transplante.
Em 1988, o programa de TMO foi implantado na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, na cidade de São Paulo. Este último até o momento realizou mais de 1500 transplantes, e atinge níveis ao redor de 15 a 20 transplantes por mês, graças a redução do período de internação, agilização das filas de espera, tornando o TCH no Brasil hoje uma realidade, junto com os outros centros do país.
Conforme a técnica do transplante evoluiu, com segurança e factibilidade, a atenção com o método cedeu lugar à preocupação com as manifestações infecciosas e com o controle mais adequado da doença do enxerto contra o hospedeiro (4). Houve a necessidade de aprimorar os laboratórios de virologia, microbiologia, genética, aprimorar o uso de antimicrobianos de amplo espectro, definir profilaxias e precauções com a alimentação, ambiente hospitalar, e acima de tudo, manter o espirito crítico para identificar as características peculiares desta população.
Neste capítulo, abordaremos de forma geral, os principais pontos referentes aos TCH.
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