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Ação contra a dengue mobiliza o Rio de Janeiro

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Com o aumento dos novos casos da doença houve também o crescimento da demanda por sangue, principalmente os concentrados de plaquetas

O Rio de Janeiro sofre com o aumento do número de casos de dengue na população. O Estado registrou 57.010 casos de dengue e 67 mortes, informou a Secretaria fluminense de Saúde e Defesa Civil. Os municípios que registraram o maior número de casos foram Angra dos Reis, Campo dos Goytacazes, Nova Iguaçu, Duque de Caxias e o Município do Rio de Janeiro.
Na luta contra a epidemia da doença, oInstituto Estadual de Hematologia Arthur Siqueira Cavalcanti (HemoRio) registrou um aumento de 30% na demanda de sangue, mais precisamente na solicitação de plaquetas. Na opinião de Clarisse Lobo, diretora-geral do HemoRio, a população está respondendo positivamente. “Desde o dia 21 de março, houve um aumento de aproximadamente 130% do número de doadores em relação ao ano passado. No dia 27 de março, o número de doadores passou de 1.000. É necessário que o número de doadores seja contínuo, para que possamos atender a demanda dos hospitais, devido ao aumento dos casos de dengue. É importante também ampliar a coleta externa de sangue”, enfatiza.

Abaixo, circular emitida pelo HemoRio sobre transfusão de concentrado de plaquetas na dengue hemorrágica

A trombocitopenia que freqüentemente aparece no quadro clínico da dengue hemorrágica tem como causa uma coagulopatia de consumo, determinada pelo vírus, e a presença de anticorpos antiplaquetários. Estes anticorpos surgem provavelmente como resultado de reação cruzada entre antígenos virais e antígenos presentes nas plaquetas. Sendo assim, a transfusão profilática de plaquetas não tem nenhuma indicação nas dengues hemorrágicas. Logo após a transfusão, as plaquetas serão rapidamente destruídas pelos anticorpos antiplaquetários e/ou consumidas em processo semelhante à CID. Não circularão, não aumentarão a contagem de plaquetas e, por conseguinte, não conseguirão cumprir o objetivo de prevenir sangramentos.
A transfusão de plaquetas só está indicada na dengue hemorrágica quando houver trombocitopenia e presença de sangramento ativo, ou indícios, ainda que difusos, de hemorragia cerebral. Nestes casos, a contagem de plaquetas também não aumentará depois da transfusão, mas as plaquetas irão auxiliar no tamponamento da(s) brecha(s) vascular (es), contribuindo assim para deter a hemorragia.
São manifestações de sangramento ativo: epistaxe, hematúria, hemorragia digestiva, hemorragia cerebral etc. Petéquias e equimoses não devem ser consideradas como sangramento ativo. A conduta que recomendamos seja adotada para indicar a transfusão de plaquetas nesta situação clínica seria a de transfundir concentrado de plaquetas, na dose de 1 unidade para cada 7 kg de peso do paciente, sempre que a contagem de plaquetas estiver inferior a 50.000/uL e houver sangramento ativo. Esta transfusão pode ser repetida a cada 8 ou 12 horas, até que a hemorragia seja controlada. Só excepcionalmente haverá indicação de transfundir plaquetas durante mais de um dia; em geral uma ou no máximo duas doses são suficientes. Não há necessidade de efetuar contagem de plaquetas pós-transfusional para avaliar a eficácia da transfusão; esta eficácia é medida, na dengue hemorrágica, pela resposta clínica, ou seja, pela diminuição ou parada do sangramento.

Fonte: www.hemorio.rj.gov.br

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