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Hematologista assume o CNPq

Hematologista assume o CNPq

Nascido na cidade de Birigui e com um longo currículo na bagagem, como diretor da Fundação Hemocentro de Ribeirão Preto e professor da USP, o Hematologista Dr. Marco Antônio Zago aceitou um novo desafio: Presidir o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).
O CNPq é a principal agência federal de fomento à pesquisa científica nos diversos níveis de pós-graduação. A instituição comanda uma série de programas especiais, entre eles o Proantar (Programa Antártico Brasileiro) e os Institutos do Milênio, grupos de pesquisa formado para finalidades específicas.
A indicação foi feita pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, que o empossará no final deste semestre.
Com vários títulos de estágios de pesquisas no exterior, como em Oxford na Inglaterra, o objetivo do novo presidente é trabalhar no Plano Estratégico do MCT, como a consolidação e expansão do Sistema de C&T.

Cumprimentos

A SBHH enviou uma mensagem ao Dr. Zago, assinada pelo seu presidente Dr. Carlos Chiattone, com o seguinte texto:

“Em nome da Diretoria da Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia externo os cumprimentos pela indicação à presidência do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Novamente suas atividades são motivos de orgulho para os hematologistas e hemoterapêutas brasileiros”.

Entrevista

A assessoria de imprensa do SBHH entrou em contato com o Dr. Zago, que nos concedeu a seguinte entrevista.

O que representa para o senhor a indicação para ocupar a presidência do CNPq?
Uma grande honra e uma demonstração de confiança do ministro da Ciência e Tecnologia, à qual espero poder corresponder. Além do mais, é também um desafio, pois o CNPq é uma das duas agências financiadoras da pesquisa dentro do MCT (a outra é a FINEP), e por isso quaisquer medidas tomadas no CNPq têm reflexo imediato em todo o sistema de ciência e tecnologia do país.

Para a hematologia e a hemoterapia brasileira significa um reconhecimento?
A hematologia e hemoterapia brasileiras tiveram um grande progresso científico e tecnológico na última década, fruto da ação convergente de numerosos grupos de pesquisa. Por isso, é uma área que concentra muitos cientistas capacitados para ocupar essa ou outras funções relevantes na ciência brasileira. Eu diria, pois, que é uma decorrência natural desse processo que vários colegas nossos ocuparam posições de destaque recentemente e certamente isso continunará ocorrendo no futuro próximo.

O senhor já tem planos para o novo cargo?
Todos nós temos planos quando aceitamos essas funções. No entanto é necessário compatibilizar isso com disponibilidades orçamentárias e com a realidade do dia a dia da agência, que eu ainda não conheço bem. 

O senhor gostaria de adiantar alguma medida que será adotada?
Vale ressaltar que o MCT têm um projeto de desenvolvimento da C&T para o país em torno de quatro eixos (consolidação e expansão do sistema de C&T; desenvolvimento de áreas prioritárias como mudanças climáticas, programa espacial e produção de fármacos, entre outros; promoção de inovação nas empresas, que prevê um estreitamento das interações da classe acadêmica e do setor empresarial; ciência para desenvolvimento e inclusão social, destacando-se os programas de popularização da ciência), e o CNPq deve alinhar suas ações dentro desses eixos.

E em relação às verbas para as pesquisas como o senhor classifica o Brasil?
Os recursos para pesquisa na área federal estão sendo incrementados nesses últimos anos, em especial em conseqüência do descontingenciamento progressivo dos recursos dos fundos setoriais. 
Além do mais, há estados que contam com fundações de apoio às pesquisas fortes e consolidadas (como a FAPESP no estado de S. Paulo), mas também nos últimos anos temos visto um aumento dos recursos de vários outros estados aplicados em C&T.

No Brasil como está a pesquisa na área de hematologia e hemoterapia em relação a outras áreas do conhecimento?
Como já disse, a pesquisa nessa área no Brasil progrediu muito nos últimos anos. Embora a comunidade de hematolgistas e hemoterapeutas seja ainda pequena (se comparada com algumas outras áreas como, por exemplo, cardiologia), do ponto de vista de produção científica em revistas de circulação internacional a hematologia equipara-se às melhores áreas de conhecimento na medicina.

Quem será indicado para ocupar o seu cargo na Presidência da Fundação Hemocentro de Ribeirão Preto?
Essa é uma prerrogativa do presidente do Conselho Curador da Fundação, o superintendente do HC de Ribeirão Preto, que deve ser aprovada pelo mesmo conselho. Creio que o assunto será tratado nos próximos dias.

O senhor gostaria de deixar uma mensagem para os profissionais que integram a SBHH?
Sempre tive grande entusiasmo e alegria de participar de atividades organizadas pelas sociedades de hematologia. Ainda recentemente, tive a honra de ser convidado para a I Jornada de Anemia Falciforme. Nessas oportunidades, assim como em visitas a serviços e hospitais, como membro de bancas de teses e concursos, e em cursos, além do contato social, muito importante, sempre tive oportunidade de renovar meus conhecimentos em áreas específicas e de interagir com pesquisadores brasileiros e estrangeiros. Eu diria que poucas vezes participei de um evento que não trouxesse um efeito posterior de colaboração ou de modificação de projetos. Por isso, essas sociedades são extremamente importantes; no entanto, além do aspecto de atualização estritamente profissional, é preciso também dar muita atenção e incentivo ao desenvolvimento científico, dando destaque aos trabalhos realizados pelos bons grupos brasileiros e pelos jovens que vão nos substituir.

Perfil:

Nome: Dr. Marco Antônio Zago
Natural: Birigui (Interior de São Paulo)
Idade: 61 anos
Mini-Currículo: Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (1970), mestrado em CLINICA MÉDICA pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (1973) e doutorado em Clínica Médica pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (1975). Pós-Doutorado em 1976/1977 em Oxford, Inglaterra. Exerce o cargo de diretor científico da Fundação Hemocentro de Ribeirão Preto. Professor titular da Universidade de São Paulo e membro titular da Academia Brasileira de Ciências.
Influência profissional: Brasil: Prof. Cássio Bottura, um dos pioneiros da Hematologia  brasileira. Inglaterra: Sir David  Weatherall, professor de medicina e um dos descobridores das bases  moleculares das talassemias e do bioquímico John B. Clegg, especialista em estruturas de hemoglobinas anormais.
Hobbies: Leitura e Música (MPB e Clássica)
Estado Civil: Casado com D. Márcia
Filhos: Marcelo e Marina (Médicos formados)

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