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Lançado portal do Hemo 2008

Já está no ar o site do Hemo 2008, evento que será realizado em São Paulo, de 7 a 10 de novembro.
No novo site, é possível conferir a programação completa das palestras, conferências e todas as atividades previstas.
As inscrições já estão abertas e podem ser feitas pelo novo portal até o dia 10 de outubro.
Durante o Congresso, serão realizados três congressos simultâneos: 31º da Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia; 24º Congresso Nacional do Colégio Brasileiro de Hematologia; e o 7º Congresso Brasileiro de Hematologia Pediátrica.
Para acessar clique www.hemo2008.org.br

Veja como foi 1ª Conferência Pan-Americana de Talassemia

A ABRASTA – Associação Brasileira de Talassemia – promoveu, entre 30 de maio e 1º de junho, a 1ª Conferência Pan-Americana de Talassemia, no Rio de Janeiro, evento dirigido a médicos, profissionais da saúde e representantes de associações de pacientes de hemoglobinopatias de todo o continente americano. Estiveram representados na conferência Argentina, Canadá, Costa Rica, Equador, EUA, Panamá, Peru, Trinidad e Tobago Uruguai, e Venezuela. O Reino Unido também participou do evento.
“É com muita satisfação e orgulho que realizamos mais um evento internacional, Acreditamos que a informação e atualização constante são fundamentais para o tratamento adequado. Temos o orgulho de poder contribuir, trazendo os mais renomados especialistas internacionais, para que compartilhem suas experiências com nossos profissionais: hematologistas e profissionais da saúde de toda a América”, comemora a presidente da ABRASTA, Merula Steagall.

Robert Ficara, membro da diretoria da Federação Internacional de Talassemia (TIF), esteve presente na mesa de abertura do evento. “Alguns dos melhores profissionais do mundo estão reunidos neste fim de semana par falar sobre talassemia. Parabenizo ABRASTA pela iniciativa e liderança na América Latina pela busca da melhoria do tratamento da talassemia”, declarou.

Na mesa de abertura também estiveram presentes a dra. Marília Rugani, representando a Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia, dra. Maria Stella Figueiredo, representando o Colégio Brasileiro de Hematologia e a presidente da Fundatal (Fundación Argentina de Talasemia), Adriana Justo, representando a Alianza Latina.

Alterações ósseas e endocrinológicas, alterações renais e coagulopatias, diagnóstico e tratamento da fertilidade, esplenectomia, hipertensão pulmonar em talassemia major e intermédia, ressonância magnética cardíaca, terapia gênica, terapia quelante, transfusão de sangue e transplante de medula óssea foram os principais temas abordados.

Para falar sobre eles, a ABRASTA convidou alguns dos maiores especialistas mundiais em talassemia. Ao final das palestras, foram apresentados casos clínicos correlacionados, gerando espaço para discussão entre todos os participantes do evento, após votação eletrônica sobre a melhor conduta a ser tomada. Seus moderadores, que trouxeram os casos, foram os médicos Aderson Araújo (Hemocentro de Pernambuco), Clarisse Lobo (Hemocentro do Rio de Janeiro), Giorgio Baldanzi (Hemocentro do Paraná), Juliano Fernandes (Universidade de Campinas), Mônica Veríssimo (Centro Infantil Boldrini), Nelson Hamerschlak (Hospital Israelita Albert Einstein), Renato Castro (Hemocentro do Rio de Janeiro), Sandra Gualandro (Hospital das Clínicas de São Paulo), Sandra Loggetto (Centro de Hematologia de São Paulo), Sara Saad (universidade de Campinas) e Sílvia Brandalise (Centro Infantil Boldrini).

Dr. Renzo Galanello, da Universidade de Cagliari (Itália), em sua palestra sobre avaliação da eficácia da quelação de ferro, destacou algumas das vantagens potenciais da terapia combinada (deferoxamina e deferiprona), como maior amplitude da quelação, maior tolerância, maior adesão à terapia quelante e melhora da qualidade de vida. “No entanto, a monoterapia é a primeira opção de tratamento. A terapia combinada é um tratamento intensivo, bastante eficaz, mas temporário”, frisou ele.

Dr. Alan Cohen, do Hospital Pediátrico da Filadélfia (EUA), promoveu uma atualização sobre os quelantes orais de ferro. Em relação à deferiprona, lembrou que existem pacientes que dela fazem uso contínuo há mais de 14 anos, e que o medicamento possui um bem documentado e detalhado perfil de segurança a respeito do uso a longo prazo. Já em relação ao deferasirox, destacou seu papel na redução do ferro hepático similar à da deferoxamina, quando utilizado em dose elevada.

Em seu panorama das estratégias de tratamento para avaliar e prevenir a siderose do miocárdio, dr. John Wood, do Hospital Pediátrico de Los Angeles (EUA), destacou a superioridade da ressonância magnética sobre o ecocardiograma na medição do ferro cardíaco. “O ecocardiograma é importante para monitorar a hipertensão pulmonar, mas MRI mostra claramente o ferro no músculo cardíaco”, declarou.

“Mesmo com centenas de publicações sobre quelação, ainda há muito poucos artigos relacionando os diferentes tipos de quelantes e complicações cardíacas”, analisou dr. Antonio Piga, da Universidade de Turim (Itália), em sua palestra sobre a fisiopatologia de doença cardíaca induzida pelos ferro, onde ele falou sobre a toxicidade do miocárdio induzida pelo ferro.

Sobre a epidemiologia de hemoglobinopatias no continente americano, dr. Aderson Araújo, do Hemocentro de Pernambuco (Brasil), citou o papel da malária. “Na construção das bases epidemiológicas das hemoglobinopatias esta doença infecciosa teve importante papel, tanto para a prevalência de hemoglobinas variantes como para as talassemias alfa e beta, além de outras anemias hemolíticas”, explicou ele, concluindo que em países em desenvolvimento como o Brasil, alguns com recursos razoáveis que desenvolveram considerável expertise no controle, prevenção e tratamento das hemoglobinopatias, ainda são necessárias políticas publicas com maior compromisso dos governos.

Dr. Caterina Borgna-Pignati, da Clínica Pediátrica da Universidade de Ferrara (Itália), promoveu uma atualização sobre mortalidade e morbidade em talassemia major, e mostrou como antes de 1969, quando foi disponibilizado o primeiro quelante, a deferoxamina, a taxa de mortalidade era bastante elevada. “Hoje, a disponibilidade de três quelantes permite maiores possibilidades de tratamento personalizado, de acordo com as necessidades do paciente“, concluiu.

Como organizar e financiar estudos clínicos e como estabelecer pesquisa em centros de tratamento foram assuntos abordados pelo Dr. Bertram Lubin, do Hospital Pediátrico do Centro de Pesquisa de Oakland (EUA). “Outra importante questão é a criação de programas que levem estudantes aos laboratórios, encorajando os jovens à área de pesquisa”, acrescentou ele.

Sobre o transplante de medula óssea, Dr. Lubin lembrou alguns fatores decisivos que devem ser considerados para o procedimento, como as perspectivas de novos tratamentos no futuro. “O papel do TMO ainda precisa ser discutido”, completou dra. Pignatti.
Também foi discutido o protocolo de quelação. “É um importante documento, que apresenta diretrizes para o tratamento quelante, mas o médico deve ter sempre em mente que nada é rígido na avaliação do paciente. É o médico que irá determinar a melhor conduta”, pontuou dr. Vasili Berdoukas, do Departamento Pediátrico da Universidade de Atenas. Durante o evento foi apresentado o protocolo de quelação brasileiro, recentemente revisado pelos médicos do Comitê Científico da ABRASTA.

Que cuidados devem ser tomados a longo prazo? Alguns tópicos foram apresentados pelo dr. Antonio Piga, como os riscos da esplenectomia, doença hepática e osteoporose.

Uma proposta para a assistência psicológica em talassemia foi apresentada pelo grupo conduzido pela psicóloga Maria Teresa Veit, coordenadora do Comitê de Psicologia da ABRASTA. Dra. Pia Massaglia, do Centro de Turim (Itália), que assessorou o trabalho, afirmou que os pacientes de talassemia devem ser vistos como seres humanos completes, e não como apenas pacientes.

Dr. Eliezer Rachmilewitz, do Centro Médico Edith Wolfson (Israel), falou sobre a predisposição de pacientes esplenectomizados e portadores de talassemia intermédia a desenvolver trombose, em sua palestra sobre estados hipercoaguláveis em hemoglobinopatias.
O cenário internacional e o que está sendo feito para melhorar o acesso a medicamentos pelas diversas instâncias governamentais, na ONU e OMS, foi apresentado pela presidente do Instituto de Anemia para Pesquisa e Educação (Canadá), Durhane Wong-Rieger: “Caminhar juntos, com pacientes e instituições, este é o caminho certo”. Dra. Silvia Brandalise, do Centro Infantil Boldrini, falou a respeito das políticas públicas para as hemoglobinopatias no Brasil, comemorando o convite feito pela OMS para o país participar do grupo de trabalho para essas doenças.

A quelação personalizada foi mais uma vez abordada, pelo dr. Galanello, na discussão sobre a adequação da terapia quelante às necessidades do paciente. “Segurança, adesão, tipo de quelante, fatores genéticos, dose, regime de quelação, são alguns dos fatores que influenciam a eficácia da quelação”, disse o médicos, enfatizando a importância de se levar em consideração as características individuais dos pacientes para a escolha da melhor forma de terapia quelante.

Neste debate também foram analisadas melhores formas de quelação para pacientes com anemia falciforme e síndrome mielodisplásica, pela Dra. Clarisse Lobo (HEMORIO) e pelo dr. Eliezer Rachmilewitz.

Após o balanço dos principais assuntos discutidos durante os três dias de conferência, pelos membros do Comitê Científico da ABRASTA, dr. Giorgio Baldanzi (HEMEPAR). dr. Mônica Veríssimo (Centro Infantil Boldrini) e dra. Sandra Loggetto (Centro de Hematologia de São Paulo), o evento foi encerrado com palestra da cientista do comportamento Claudia Riecken.

A psicóloga falou sobre como motivar o paciente a lutar e não desistir de seu tratamento. “Os melhores ‘sobreviventes’ enfrentam seus problemas, se recuperam e superam as adversidades, se fortalecendo. E há três conceitos fundamentais para seu êxito, aos quais eles devem estar atentos: auto-estima (‘eu gosto de mim, e me cuidarei bem’), autoconfiança (‘eu sei o que fazer’) e auto-imagem (‘eu me vejo bem’)”, afirmou Riecken.
A 1ª Conferência Pan-Americana de Talassemia recebeu ao todo 180 participantes. Em breve a ABRASTA publicará o protocolo de quelação brasileiro em seu site – www.abrasta.org.br – e colocará à disposição dos interessados as palestras do evento editadas.


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